segunda-feira, 10 de junho de 2013

#3 Teoria das Cores

Um aquário com um peixe vermelho

«Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho.»

Na visão do poeta, a atenção do artista à realidade – a realidade aparentemente mais insignificante («um aquário com um peixe vermelho») – é a pedra de toque do processo criativo.

Este aspeto transparece em numerosas obras de arte, sendo aliás muito comum que pormenores aparentemente insignificantes do quotidiano sejam imortalizados por artistas plásticos (pense-se nas representações de Van Gogh do seu quarto) ou escritores (como é recorrente na poesia de Tolentino de Mendonça).

A realidade, a mais insignificante realidade – o peixe vermelho no aquário, o burburinho agitado da cidade, o trânsito ao final do dia, o vizinho que toca à campainha, o telefone a vibrar em cima da mesa, os insetos verdes que invadem a sala nas noites de verão, a respiração funda de um amor que dorme – surge por dentro da obra, imiscui-se no papel, ganha o seu lugar na obra.

E o artista acolhe na obra a realidade. Imortaliza- a.

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