Corpo-espaço
«El espacio y la materia no están tan distantes el uno del otro, quizás los separa una diferencia de velocidad. La matéria seria un espácio mais lento o el espácio una matéria mas rápida.»
Eduardo Chillida
A obra de CHILIDA conheço-a dos livros e das imagens. Nunca estive perante o Elogio del Horizonte ou El Peine del viento. Falta-me a obra, o ferro, o betão, o vento, o horizonte, a paisagem, o frio, o calor, o mar e o céu desse lugar, o incomensurável – elementos primordiais da obra do artista.
Falta-me o lugar, faltam-me os elementos do espaço escultórico, falta-me o espaço – pedra de toque do percurso artístico de CHILLIDA.
Numa perspetiva física e plástica, a escultura é uma manifestação artística na qual a questão do espaço ocupa um lugar primordial. A escultura é um corpo no espaço, e delimita três dimensões do espaço: o espaço interior da escultura, a fronteira ou limite da escultura face ao espaço envolvente, e o espaço exterior da escultura.
No entanto, apesar de dissecado pela técnica e pela ciência, o espaço permanece obscuro na sua natureza, porque se trata de um fenómeno originário, que não decorre de nada, sendo portanto necessário que se revele a partir de si mesmo[1].
Por um lado, a noção de espaço prende-se desde logo com a noção de lugar (ou de lugares). Numa primeira análise, a noção de espaço remete para algo de abstrato, por oposição ao carácter concreto dos lugares.
Por outro lado, e concretizando a reflexão sobre o corpo-espaço escultórico, a escultura é um corpo (composto de materiais e com uma estrutura próprias) que ocupa um espaço, o qual é definido pelo volume da escultura, com as suas zonas de cheio e vazio.
Mas será o espaço da técnica e da arte um só e mesmo espaço? Esta questão, que remete para a reflexão ontológica do espaço, foi suscitada e desenvolvida por HEIDEGGER na pequena obra El Arte y el Espacio.
Em linha com este filósofo, poder-se-á confrontar duas formas diversas de tratar o problema do espaço.
Por um lado, a perspetiva da técnica, que trata o espaço de um ponto de vista singular e objetivo, desprovido de lugares e regiões, porque alheio ao tempo e às paisagens do mundo.
Por outro lado, a perspetiva da arte, que trata o espaço de um ponto de vista plural e subjetivo, como espaços habitados pelo homem e existindo nos lugares[2].
É esta perspectiva plural e subjetiva a que CHILLIDA faz transparecer na sua obra: «Yo estoy tratando de hacer la obra de un hombre, la mía porque yo soy yo, y como soy de aquí, esa obra tendrá unos tintes particulares, una luz negra, que es la nuestra».
O que é então o espaço, deste ponto de vista artístico e subjetivo?
O que é então o espaço, deste ponto de vista artístico e subjetivo?
Sem comentários:
Enviar um comentário