Sentia-me um pouco pateta com aquela farda cinzenta, de fazenda quente e patentes que eu desconhecia. Não fora o jeito para a escrita, certamente que as minhas armas seriam outras. Mas, sei lá eu por que proteção divina, o Estado entendeu que um jovem jornalista d’O Século serviria melhor o interesse nacional de caderno, lápis e câmara a tiracolo. E assim parti para a Guerra, um jornalista vestido soldado, com coração de D. Quixote e armas do faz de conta.
Naquela manhã, não tinha ainda impregnado na pele o cheiro do sangue, dos corpos, dos dejectos, dos fluidos, da morte, do medo. Não tinha sequer tocado Margarida mulher. Era só um rapaz vaidoso com pretensões de gente grande. E África parecia-me tanto.
* * *
- Senhor António, e elas caíam nessa?
- Nem queiras saber, rapaz. Só gajas.
disse o velho para o enfermeiro do asilo.
Lobo Antunes certo?Memória de Elefante?
ResponderEliminarNa verdade ainda não o li. Mas acabou de subir mais uns degraus nas minhas altas torres de livros a ler ;)
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