Ontem à noite, ao passar no largo da Casa dos Bicos, inundado de foliões, em alcoólica algazarra a bailar ao som do mais popularucho pimba da atualidade, imaginei-me por uns segundos na pele da Pilar del Rio.
No lugar dela, eu (que até me gabo de ter alguma calma) estaria certamente no limiar de um ataque de nervos, só de pensar que, dentro de poucas horas, naquele caos de sardinhas, garrafas, copos e bêbados (congénitos e de circunstância) estaria a decorrer a cerimónia oficial de inauguração da Fundação Saramago.
Mas Nosso Senhor que tudo sabe entrega sempre os bons projetos nas mãos certas. E pela manhã, o largo estava imaculado, e a Casa dos Bicos branca e luminosa.
A Obra encontrou a Casa. Que a Casa dê continuidade à Obra.
Hoje Portugal ganhou. E não foi só no futebol.
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