- Acho que o e-mail não era para mim. Este é mesmo o teu pior
jantar de sempre?
A Margarida não podia acreditar que se tinha enganado no
e-mail. Roxa de vergonha, desatou a falar muito rápido, tentando desculpar-se
desajeitadamente.
- Tenho uma coisa para te confessar, disse o Manel perdido de
riso. Também estou farto de arranjinhos, e pensei que se te trouxesse a esta
espelunca e fosse o maior chato da hisória não me voltavam a impingir ninguém
tão cedo! Achas mesmo que me estou a sair bem?
- Perfeito!, disse ela, rindo, nervosa e incrédula, quase aborrecida com o desplante dele. Então e o
que tinhas planeado para o resto da pior noite de sempre?
- O mais difícil foi encontrar esta pérola. Espeluncas há
muitas, mas com esta vista foi um autêntico achado. Já falámos do tempo. Agora
ia falar-te do meu trabalho até faleceres de tédio. Depois espevitar-te-ia um
pouco com as desgraças da semana, apimentando a conversa com comentários
enfurecidos sobre a crise e uma pitada de machismo e xenofobia. O golpe final: pormenores
íntimos sobre uma ex-namorada e a depressão em que estou desde que ela me
deixou. Que tal?
- Estou impressionada.
E era verdade. O Manel despia-se à sua
frente, amachucando as roupas de rapaz pateta e insosso debaixo da mesa. Era
louco q.b. Mas tinha graça. E falaram, falaram, falaram. A noite toda. Gargalhadas
incluídas. Até a pequena espelunca fechar.
- E agora?
- Agora convidas-me para jantar como deve de ser.
- E posso levar-te a casa?
- Estava com medo que não perguntasses.
Sem comentários:
Enviar um comentário