Aprendi que há que fingir que o livro a escrever já está escrito, escrito por um terceiro, por um hipotético autor que não se conhece, um autor de outra língua, de outra cultura [e não o tendo sido dito, digo-o eu: um autor de outro tempo], e descrever, resumir, recensear este livro hipotético. Assim vai nascer uma literatura elevada ao quadrado e, ao mesmo tempo, uma literatura como extracção da raiz quadrada de si própria.
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