sexta-feira, 9 de novembro de 2012

#6 Dos dias e das noites

Bendita nem queria crer quando lhe disseram que a Cigarra cirandava por aí, cirandava por ali, cirandava por acolá. Sempre pensou que Cigarra fosse uma pessoa mais dada ao respeito... enfim, uns fumos de tempos a tempos, coisa pouca, mas também o que seria de esperar de alguém com nome de Cigarra, mas com forma de mulher e não de insecto... E Bendita, que acreditava ser uma mulher do seu tempo, não via mal em que uma jovem fumasse, mesmo que tabaco de enrolar (ou, como ela lhe chamava, do que não era pré-fabricado). Note-se, Bendita não o fazia: ainda tinha namorado a ideia durante uns tempos, mas a falta de jeito para a coisa e ter-se visto em risco de perder um outro amante - de carne e osso -, que dizia não achar graça a beijar cinzeiros, fizeram com que deixasse o vício antes de este o ser. Valeu de pouco... Mal sabia Bendita que, no calor da noite, o Alcides até tubo de escapes beijava, desde que lhes conseguisse levantar as saias.

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