sábado, 10 de novembro de 2012

#7 Dos dias e das noites

Pedro dizia ter vinte e poucos anos. Mentia. Não sabíamos se o fazia propositadamente ou se era apenas o resultado de uma das várias idiossincrasias que o definiam e que o faziam ser apreciado por todos - a dificuldade em calcular a sua idade, mesmo quando tal se revelava importante (a "importância" é relativa: em tempos, numa discoteca da moda, o homem da porta privada, o homem que aborta a entrada perguntou-lhe a idade e ele não soube dizer mais do que "sou de 84, tenho mais que idade"; resultado: passou a noite ao relento e trouxe a mesma sorte aos amigos, que durante meses se recusaram a ir para a noite com ele). Na realidade, já caminhava para os 30. Vinte e muitos então.

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