sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

I - Trechos

"Não ia acontecer", pensava ela com tanta incerteza quanto possível. A verdade é que não queria que as coisas acontecessem, ainda que tivesse passado os últimos meses em preparação para algo que, parecendo muito improvável, fluía lentamente, qual curso de água no pico de um Verão abrasador, para o seu destino inexorável. No final de contas, só quem crê no divino é que acredita que as pessoas podem mudar, sendo mais que certo que o ser terreno se limita a adaptar-se em consequência das dificuldades com que se depara, fazendo ligeiras concessões e compromissos, mas nunca deixando de ser quem é. É essa a nossa natureza e tal como as representações de Cézanne não tem grande movimento. Mas voltemos ao fio, antes que o Leitor esqueça a meada. "Não ia acontecer, não podia!!! seria ainda pior que da primeira vez!", lamentava-se já P. enquanto vertia uma lágrima e aceitava a sua dura realidade: estava feliz.

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